Recolhimento de gás refrigerante: passo a passo correto
O recolhimento de gás refrigerante consiste em retirar o fluido de um equipamento e transferi-lo para um cilindro adequado, sem liberá-lo diretamente na atmosfera. Esse processo deve ocorrer antes da abertura do circuito para reparos, trocas de componentes, desinstalação ou descarte.
Além de reduzir os impactos ambientais, o procedimento protege o técnico contra queimaduras pelo frio, exposição ao fluido e acidentes causados pela pressão. Por isso, é fundamental usar equipamentos compatíveis e seguir as orientações dos fabricantes.
O conteúdo sobre como fazer o recolhimento do fluido refrigerante no ar-condicionado split ajuda a compreender a aplicação desse processo em sistemas de climatização. Continue a leitura e confira a sequência correta para executar o serviço.

O que é recolhimento de gás refrigerante?
O recolhimento remove o fluido do circuito e o armazena em um cilindro de recolhimento recarregável. No entanto, esse procedimento não limpa o produto nem devolve automaticamente suas características originais.
Por isso, o técnico precisa diferenciar quatro processos:
| Processo | O que acontece com o fluido |
|---|---|
| Recolhimento | O fluido é retirado do sistema e armazenado sem tratamento obrigatório. |
| Reciclagem | Umidade, óleo, partículas e outros contaminantes são reduzidos para possível reutilização. |
| Regeneração | O fluido passa por tratamento e análise para atingir características equivalentes às de um produto novo. |
| Pump down | A carga fica confinada em uma parte do próprio sistema, quando o equipamento permite. |
Além disso, a bomba de vácuo não substitui a recolhedora. Sua função é remover ar e umidade do circuito depois do recolhimento e do reparo. Somente após essa etapa o sistema poderá receber a carga especificada pelo fabricante.
Quando o recolhimento deve ser realizado?
O procedimento é necessário sempre que o serviço exigir a abertura do circuito frigorífico ou a retirada da carga. Entre as situações mais comuns estão:
- Troca de compressor, válvula, filtro secador ou tubulação;
- Correção de vazamentos;
- Retirada de carga contaminada;
- Correção de sobrecarga;
- Desinstalação ou mudança do equipamento;
- Substituição do fluido, quando tecnicamente permitida;
- Descarte de equipamentos de refrigeração e climatização.
Para as substâncias controladas pelos Anexos A e B do Protocolo de Montreal, a Resolução CONAMA nº 340/2003 proíbe a liberação na atmosfera. Além disso, a norma determina que essas substâncias sejam recolhidas e armazenadas em recipientes adequados.
Mesmo quando o fluido utilizado não está abrangido por essa resolução específica, evitar emissões continua sendo uma boa prática. Dessa forma, o técnico reduz riscos ambientais e melhora a segurança do atendimento.
Quais equipamentos são necessários?
Primeiramente, os equipamentos devem ser escolhidos de acordo com o refrigerante, a pressão de trabalho e sua classificação de segurança. Além disso, as orientações dos fabricantes do sistema e da recolhedora precisam ser respeitadas.
O conjunto básico inclui:
- Máquina recolhedora compatível com o refrigerante;
- Cilindro recarregável próprio para recolhimento;
- Manifold adequado à pressão do sistema;
- Mangueiras com registros e baixa perda;
- Balança eletrônica;
- Detector de vazamento;
- Etiquetas de identificação;
- Óculos e luvas de proteção contra o frio;
- Calçado de segurança;
- Equipamentos de ventilação e sinalização, quando necessários.
Antes de começar, verifique o prazo de inspeção do cilindro, o estado das válvulas e a compatibilidade das vedações. Além disso, outras opções de instrumentos podem ser consultadas na lista de principais ferramentas para refrigeração comercial.
Quais cuidados tomar com fluidos inflamáveis?
Fluidos como R32, R290 e R600a exigem recolhedora e componentes aprovados para a respectiva classe de inflamabilidade. Por isso, o local precisa estar ventilado e livre de chamas, cigarros, faíscas e outras fontes de ignição.
O manual brasileiro sobre uso seguro de fluidos frigoríficos orienta o uso de equipamentos compatíveis, conexões seguras e monitoramento da massa transferida.
Além disso, as recomendações de segurança para trabalhar com fluidos refrigerantes devem fazer parte da preparação para qualquer atendimento. Assim, o técnico reduz o risco de queimaduras, asfixia, incêndios e outros acidentes.

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Como fazer o recolhimento de gás refrigerante?
O passo a passo abaixo apresenta uma sequência geral. No entanto, a posição das válvulas, as pressões finais e o modo de operação devem seguir os manuais do sistema e da máquina recolhedora.
1. Identifique o refrigerante
Primeiro, confira a etiqueta do equipamento, o manual e o histórico de manutenção. Não determine o tipo de fluido apenas pela pressão encontrada no sistema.
Caso exista dúvida sobre contaminação ou mistura, trate o produto como fluido contaminado. Além disso, nunca coloque refrigerantes diferentes no mesmo cilindro.
2. Avalie a segurança do local
Em seguida, desenergize o equipamento quando indicado, controle o acesso e retire possíveis fontes de ignição. Depois, verifique a ventilação e inspecione visualmente o circuito.
Nos atendimentos com R32, o técnico deve considerar sua classificação A2L. Portanto, é importante conhecer os cuidados necessários ao trabalhar com R32 e R410A.
3. Prepare o cilindro
Use somente um cilindro recarregável, compatível com o fluido e dentro do prazo de inspeção. Em seguida, posicione o recipiente verticalmente sobre a balança.
Registre a tara e calcule o limite de carga conforme o volume interno, a densidade do refrigerante e as instruções do fabricante. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o fluido líquido não deve ultrapassar 80% do volume do cilindro.
Contudo, esse percentual se refere ao volume, não simplesmente a 80% da massa indicada no recipiente. Por isso, a densidade de cada refrigerante precisa entrar no cálculo.
4. Faça as conexões
A configuração básica segue este fluxo:
Sistema → manifold → entrada da recolhedora → saída da recolhedora → cilindro
Durante todo o processo, mantenha o cilindro sobre a balança. Além disso, confira o aperto das conexões e elimine o ar presente nas mangueiras conforme as instruções do fabricante.
Dessa forma, o técnico evita contaminações e reduz emissões desnecessárias.
5. Inicie o recolhimento
Depois de verificar as conexões, abra os registros na sequência indicada pelo fabricante. Quando o sistema permitir, a retirada inicial da fase líquida pode diminuir o tempo do serviço.
Em seguida, também é necessário recolher a fase de vapor. Já nos sistemas de maior capacidade, o método push-pull pode acelerar a transferência de líquido.
No entanto, esse método só deve ser utilizado por profissionais capacitados. Além disso, a recolhedora, o cilindro e as mangueiras precisam ser aprovados para essa configuração.
6. Monitore massa e pressão
Durante o recolhimento, acompanhe:
- Massa transferida para o cilindro;
- Pressão de entrada e descarga da recolhedora;
- Temperatura do cilindro;
- Limites de funcionamento da máquina;
- Possível chegada de líquido ao compressor da recolhedora;
- Sinais de restrição nas mangueiras.
Caso a pressão ou a temperatura aumentem além do limite, interrompa o processo e identifique a causa. Além disso, nunca aqueça o cilindro com chama nem ultrapasse seu limite de enchimento.
7. Aguarde a equalização
Quando o sistema atingir a pressão final especificada, feche os registros e aguarde alguns minutos. Nesse intervalo, a pressão pode voltar a subir devido ao refrigerante retido no óleo ou em pontos internos do circuito.
Caso isso aconteça, repita o recolhimento. Por fim, execute a função de autopurga da máquina, quando disponível, para retirar o fluido restante na recolhedora e nas mangueiras.
8. Pese e identifique o cilindro
Depois de concluir o processo, registre a massa recuperada. Em seguida, identifique o recipiente com:
- Tipo de refrigerante;
- Quantidade recolhida;
- Data do serviço;
- Equipamento de origem;
- Nome do técnico ou ordem de serviço;
- Condição do fluido: limpo, contaminado ou misturado.
Por fim, armazene o cilindro em local ventilado e protegido contra calor, umidade e impactos. Caso o produto não possa ser reutilizado, encaminhe-o para reciclagem, regeneração ou destinação ambientalmente adequada.
O que fazer quando existe vazamento?
O recolhimento não corrige a causa da perda de fluido. Portanto, depois de retirar a carga, o técnico deve localizar o ponto defeituoso, executar o reparo e comprovar a estanqueidade do circuito.
Os detectores eletrônicos ajudam a encontrar pequenas fugas em válvulas, flanges, soldas, serpentinas e conexões. Além disso, podem ser aplicadas técnicas avançadas para localizar vazamentos com detectores eletrônicos.
Nunca complete a carga antes de identificar o motivo da perda. Afinal, em um circuito em boas condições, o fluido não é consumido durante o funcionamento.
Quais erros devem ser evitados?
| Erro | Risco ou consequência |
|---|---|
| Utilizar cilindro descartável | O recipiente não foi projetado para receber fluido recuperado. |
| Misturar refrigerantes | A mistura dificulta a identificação, a reciclagem e a reutilização. |
| Ultrapassar o limite do cilindro | A expansão do líquido pode elevar perigosamente a pressão. |
| Usar recolhedora incompatível | Pode causar falha, ignição ou acidente. |
| Liberar fluido para reduzir a pressão | Gera emissão ambiental e exposição desnecessária. |
| Confundir recolhimento com vácuo | A bomba de vácuo não deve receber a carga do sistema. |
| Não registrar o conteúdo | Compromete a rastreabilidade e a destinação correta. |
| Recarregar sem corrigir vazamentos | Provoca nova perda de refrigerante e retrabalho. |
O que fazer depois do recolhimento?
Com o sistema sem carga, execute o reparo necessário. Depois, faça o teste de estanqueidade, realize a evacuação com vacuômetro e aplique a carga pela massa indicada pelo fabricante.
Além disso, registre o diagnóstico, a quantidade recolhida, a carga aplicada e o destino do fluido. Dessa maneira, o histórico técnico facilita atendimentos futuros e comprova os procedimentos realizados.
Perguntas frequentes sobre recolhimento de gás refrigerante
É a retirada do fluido de um sistema para armazenamento em um cilindro recarregável apropriado.
Sim, desde que sua condição seja avaliada. No entanto, fluidos contaminados ou misturados precisam de tratamento ou destinação adequada.
Não. O técnico deve usar um cilindro recarregável próprio para recolhimento.
Não. O fluido líquido não deve ultrapassar 80% do volume do cilindro.
Sim. A recolhedora deve ser compatível com o R32 e com sua classificação A2L.
Não. A bomba de vácuo remove ar e umidade depois que a recolhedora retira o refrigerante.
No recolhimento, o fluido vai para um cilindro externo. Já no pump down, a carga permanece confinada no próprio sistema.
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Um recolhimento seguro depende de recolhedora, manifold, mangueiras, balança, detector e cilindro compatíveis. Por outro lado, equipamentos improvisados aumentam o risco de perda do fluido, contaminação e acidentes.
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