Disjuntor do ar-condicionado split: como dimensionar cabo sem achismo

Para dimensionar o disjuntor do ar-condicionado split, o técnico deve começar pela corrente nominal ou máxima indicada na etiqueta e no manual do aparelho. Afinal, a quantidade de BTUs, isoladamente, não determina a amperagem do disjuntor nem a seção do cabo.

Além disso, é necessário analisar o comprimento do circuito, a forma de instalação dos condutores, a temperatura e o agrupamento de cabos. A queda de tensão também precisa entrar no cálculo.

Antes de substituir qualquer componente, verifique se existem problemas no disjuntor do ar-condicionado, como aquecimento, conexões frouxas ou desarmes recorrentes.

Continue a leitura e entenda como relacionar corrente, cabo e proteção elétrica sem depender de tabelas genéricas.

Qual disjuntor usar no ar-condicionado split?

Não existe uma amperagem única para todos os aparelhos de 9.000, 12.000, 18.000 ou 24.000 BTUs. Embora tenham a mesma capacidade térmica, dois equipamentos podem apresentar tensões, potências e correntes diferentes.

A tecnologia do compressor também influencia o funcionamento elétrico. Por exemplo, modelos convencionais e inverter podem apresentar comportamentos distintos durante a partida e a operação.

Já nos aparelhos de maior capacidade, a instalação pode exigir alimentação trifásica e proteções específicas. O conteúdo sobre disjuntor para ar-condicionado de 48.000 BTUs apresenta orientações para esse tipo de aplicação.

Ainda assim, as especificações do modelo e o projeto elétrico devem prevalecer em qualquer instalação.

Por que os BTUs não definem a amperagem?

BTU/h representa a capacidade de refrigeração do equipamento. Em outras palavras, essa medida indica quanto calor o aparelho consegue retirar do ambiente.

No entanto, os BTUs não correspondem diretamente à corrente elétrica consumida. Esse valor depende de diferentes características do aparelho, como:

  • Potência elétrica de entrada;
  • Tensão de alimentação;
  • Eficiência energética;
  • Fator de potência;
  • Tecnologia convencional ou inverter;
  • Condições de funcionamento.

Portanto, a capacidade em BTUs serve para o dimensionamento térmico. Já o cabo e o disjuntor devem ser escolhidos com base nos dados elétricos do equipamento.

O manual do fabricante deve ser consultado primeiro

O manual de instalação é uma das principais referências para o serviço. Normalmente, o documento apresenta informações como corrente máxima, seção mínima dos condutores, curva do disjuntor e ponto de alimentação.

O Manual AirVolution Lite, da Midea, por exemplo, especifica disjuntor termomagnético curva C de 20 A e fiação com seção nominal mínima de 2,5 mm² para determinados modelos.

Além disso, o próprio manual orienta que os demais dimensionamentos sigam a NBR 5410. Por esse motivo, os valores informados não devem ser aplicados automaticamente a outros aparelhos.

Como dimensionar o cabo e o disjuntor do split?

O dimensionamento deve relacionar a corrente exigida pelo aparelho, a capacidade real do cabo e a atuação do dispositivo de proteção.

Quando o disjuntor é aumentado apenas para evitar desarmes, o condutor pode ficar sem proteção adequada. Por isso, cada etapa precisa ser verificada antes da instalação.

1. Confirme a tensão e o tipo de alimentação

Primeiramente, confira se o equipamento funciona em 127 V ou 220 V. Em seguida, identifique se a alimentação elétrica chega à evaporadora ou à condensadora.

Também é necessário verificar a configuração da rede. Uma alimentação de 220 V pode utilizar duas fases ou outra configuração definida no projeto elétrico.

Consequentemente, a quantidade de polos do disjuntor deve considerar os condutores ativos que precisam ser seccionados.

Antes de ligar o equipamento, confirme:

  • Tensão disponível no ponto;
  • Frequência da rede;
  • Esquema de alimentação;
  • Existência do condutor de proteção;
  • Condições do aterramento;
  • Compatibilidade do quadro de distribuição;
  • Diagrama elétrico do fabricante.

2. Identifique a corrente de projeto

A corrente nominal ou máxima deve ser consultada na etiqueta técnica e no manual. Caso o fabricante já determine o disjuntor e a seção mínima do cabo, essas orientações devem fazer parte do projeto.

Quando apenas a potência elétrica estiver disponível, a divisão da potência pela tensão oferece uma estimativa inicial para circuitos monofásicos:

Corrente aproximada = potência elétrica ÷ tensão

Como exemplo, um equipamento de 1.540 W ligado em 220 V teria uma corrente aproximada de 7 A.

Entretanto, esse cálculo não substitui a corrente declarada pelo fabricante. Afinal, a fórmula simplificada não considera sozinha o fator de potência, a partida do compressor e o comportamento do sistema inverter.

3. Escolha o cabo pela capacidade de condução

A seção do cabo deve suportar a corrente do aparelho nas condições reais da instalação. Portanto, não basta escolher a bitola com base em uma tabela genérica.

Durante a análise, considere:

  • Material do condutor;
  • Tipo de isolação;
  • Método de instalação;
  • Quantidade de condutores carregados;
  • Temperatura do ambiente;
  • Agrupamento com outros circuitos;
  • Comprimento do percurso.

A capacidade de condução pode diminuir quando vários circuitos passam pelo mesmo eletroduto. Da mesma forma, ambientes mais quentes podem exigir a aplicação de fatores de correção.

Além de causar aquecimento, cabos subdimensionados podem provocar instabilidade na alimentação. Esse problema está entre os erros elétricos que podem queimar a placa inverter, principalmente quando existe queda de tensão ou conexão inadequada.

4. Calcule a queda de tensão

Mesmo que o cabo suporte a corrente, o comprimento do circuito pode exigir uma seção maior. Isso ocorre porque a queda de tensão tende a aumentar conforme crescem a distância e a corrente.

A NBR 5410 estabelece limites para a queda de tensão nas instalações elétricas. Assim, o cálculo deve considerar a corrente de projeto e todo o percurso entre a origem do circuito e o equipamento.

Em linhas mais longas, uma seção de 2,5 mm² pode não ser suficiente. Nesse cenário, o profissional pode precisar utilizar 4 mm² ou outra seção definida pelo cálculo.

5. Coordene o disjuntor com o cabo

A proteção contra sobrecarga deve respeitar a seguinte relação:

Ib ≤ In ≤ Iz

Os símbolos representam:

  • Ib: corrente de projeto do circuito;
  • In: corrente nominal do disjuntor;
  • Iz: capacidade corrigida do cabo.

Na prática, o disjuntor deve suportar a corrente normal do aparelho. Ao mesmo tempo, precisa atuar antes que o cabo ultrapasse sua capacidade segura.

Por exemplo, um disjuntor de 25 A não deve proteger um cabo cuja capacidade corrigida seja de apenas 18 A. Nesse caso, o condutor pode aquecer sem que a proteção interrompa o circuito no momento adequado.

6. Verifique curva, polos e capacidade de interrupção

A amperagem é apenas uma das características do disjuntor. Além dela, o técnico precisa avaliar:

  • Curva de atuação;
  • Quantidade de polos;
  • Capacidade de interrupção;
  • Corrente de partida;
  • Características do quadro;
  • Orientações do fabricante.

A curva C é comum em circuitos com cargas que apresentam corrente de partida. Porém, ela não deve ser adotada automaticamente para qualquer aparelho.

Por isso, o manual, as medições e as condições do circuito devem orientar a escolha final.

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Exemplo de dimensionamento do disjuntor do split

Considere um equipamento hipotético de 220 V com corrente nominal de 8,4 A.

Depois de analisar o método de instalação, a temperatura e o agrupamento, o técnico verificou que o cabo possui capacidade corrigida de 18 A. Nesse caso, um disjuntor de 16 A atenderia à seguinte relação:

8,4 A ≤ 16 A ≤ 18 A

No entanto, a análise ainda deve considerar a queda de tensão, a corrente de partida e a capacidade de interrupção. As orientações do fabricante também precisam ser verificadas.

Portanto, o exemplo não significa que todo split semelhante deva utilizar disjuntor de 16 A. O cálculo deve ser realizado novamente para cada equipamento e instalação.

Checklist para dimensionar o circuito do split

ItemO que verificar
Capacidade em BTU/hUtilizada no cálculo térmico, não para definir sozinha o disjuntor
Tensão127 V ou 220 V e configuração da alimentação
CorrenteValor nominal ou máximo informado pelo fabricante
ManualCabo mínimo, disjuntor, curva e ponto de alimentação
Instalação do caboEletroduto, canaleta, bandeja ou outro método
Fatores de correçãoTemperatura e agrupamento
ComprimentoInfluência sobre a queda de tensão
CoordenaçãoRelação Ib ≤ In ≤ Iz
DisjuntorAmperagem, curva, polos e capacidade de interrupção
ProteçãoAterramento e condutor de proteção
Teste finalCorrente, tensão, aperto e aquecimento dos terminais

Quais erros provocam aquecimento e desarme?

O aquecimento não ocorre apenas quando o disjuntor está subdimensionado. Conexões frouxas, terminais inadequados e cabos instalados em condições desfavoráveis também aumentam a resistência elétrica.

Entre os erros mais comuns, estão:

  • Escolher a amperagem somente pelos BTUs;
  • Instalar um disjuntor maior sem recalcular o cabo;
  • Compartilhar o circuito com outros equipamentos;
  • Ignorar o comprimento da instalação;
  • Desconsiderar a queda de tensão;
  • Utilizar cabo com seção insuficiente;
  • Deixar bornes ou terminais frouxos;
  • Alimentar o aparelho com tensão incorreta;
  • Ignorar o aterramento;
  • Confundir cabo de alimentação com cabo de comunicação;
  • Desconsiderar as orientações do manual.

Essas falhas estão entre os principais erros comuns na instalação de ar-condicionado. Como consequência, podem causar retrabalho, danos ao aparelho e chamados após a entrega.

Além disso, registrar tensão, corrente, condições do quadro e testes finais ajuda a reduzir o retorno de garantia do ar-condicionado. Essa documentação facilita a análise caso o cliente relate uma falha posteriormente.

Quem pode realizar a adequação elétrica?

Intervenções no quadro e na instalação fixa devem ser realizadas por profissionais qualificados e autorizados.

A NR-10 estabelece diretrizes de segurança para trabalhadores que atuam direta ou indiretamente com instalações elétricas. A norma prevê medidas de controle para atividades de execução, operação e manutenção.

Antes de qualquer intervenção, o circuito precisa ser desenergizado. Posteriormente, a ausência de tensão deve ser confirmada com um instrumento adequado.

Caso o refrigerista não possua qualificação para alterar a instalação elétrica, o serviço deve ser encaminhado a um eletricista ou profissional legalmente habilitado.

Perguntas frequentes

Qual disjuntor usar em um ar-condicionado split de 12.000 BTUs?

Não existe uma amperagem universal. Portanto, consulte a corrente indicada na etiqueta, o manual do fabricante e a capacidade corrigida do cabo.

Posso usar um disjuntor de 10 A no ar-condicionado split?

Sim, desde que a corrente do aparelho, a capacidade do cabo e as orientações do manual permitam. Além disso, a partida do equipamento deve ser considerada.

Qual cabo usar no split: 2,5 ou 4 mm²?

A seção depende da corrente, do método de instalação, da temperatura, do agrupamento e do comprimento. Por isso, circuitos mais longos podem exigir um cabo maior.

O ar-condicionado precisa de disjuntor exclusivo?

Diversos fabricantes recomendam ou exigem um circuito exclusivo. Dessa forma, a orientação específica deve ser confirmada no manual do modelo instalado.

Ar-condicionado 220 V sempre usa disjuntor bipolar?

Não necessariamente. A escolha depende da configuração da alimentação elétrica e dos condutores ativos que precisam ser seccionados.

Posso aumentar o disjuntor para evitar desarmes?

Não sem recalcular o circuito. Caso contrário, o cabo pode ficar desprotegido e apresentar aquecimento.

Por que o disjuntor desarma quando o compressor liga?

As causas podem incluir corrente de partida elevada, disjuntor inadequado, baixa tensão, cabo subdimensionado ou conexão frouxa. Além disso, uma falha no próprio equipamento pode provocar o desarme.

Os BTUs determinam a bitola do cabo?

Não. Os BTUs representam a capacidade térmica. Já a seção do cabo deve ser definida pela corrente, pelas condições da instalação e pela queda de tensão.

Compre com qualidade na Frigelar

O dimensionamento correto depende de cálculos e verificações. Contudo, a qualidade dos materiais também influencia a segurança e a durabilidade do serviço.

Cabos, disjuntores, terminais e instrumentos de medição precisam ser compatíveis com as características do circuito. Além disso, os componentes devem possuir procedência e especificações adequadas.

Na Frigelar, o técnico encontra materiais de instalação, ferramentas profissionais, instrumentos de medição, peças e acessórios para realizar serviços de climatização com mais organização e segurança.

Portanto, o disjuntor do ar-condicionado split não deve ser escolhido apenas pela capacidade em BTUs. Consulte a etiqueta e o manual, calcule a capacidade corrigida do cabo, verifique a queda de tensão e coordene corretamente o dispositivo de proteção.

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