O compressor do ar-condicionado não desliga? Entenda o que pode estar causando esse problema

Considerado o “coração do sistema”, o compressor do ar-condicionado é essencial para manter o fluxo de massa do fluido no sistema de refrigeração, através do processo de sucção e descarga. O compressor, independente da sua versão, é o componente que mais consome energia elétrica em sistemas de climatização e esse consumo se dá não só pela sua capacidade de refrigeração (deslocamento volumétrico), como também pelo seu funcionamento.

Equipamentos subdimensionados, superdimensionados e utilizados de forma errada causam consumo de energia relativamente altos. Além disso, muitos clientes e profissionais da área se deparam com um problema muito comum em compressores, que é o de o compressor não desligar.

Para nos ajudar a entender os possíveis motivos para que essa falha ocorra, Anderson Oliveira, professor de refrigeração e fundador do canal INTAC Treinamentos no Youtube, nos trouxe algumas dicas para que o cliente entenda o que ocorre com seu aparelho. 

Então, o compressor não desliga? Saiba os possíveis motivos:

1- Controle remoto

Muitas pessoas imaginam que um compressor “gela mais” quando se coloca para operar na mínima temperatura possível, mas o professor esclarece: “praticamente nenhum equipamento dimensionado corretamente chegará a manter a temperatura ambiente em 16° C, portanto o compressor não irá desligar, porque o valor de setpoint não será alcançado e dificilmente permanecerá nessa temperatura”, explica.

Para que isso não aconteça, Oliveira recomenda utilizar o controle remoto nos valores de temperaturas informados na resolução 09/2003 da Anvisa, que dentre outras informações, estabelece que as condições ambientes para verão, podem variar 23° C a 26° C com umidade relativa entre 40% e 60%. Vale lembrar: Estas instruções servem para épocas mais quentes, como no verão. No inverno, os valores adequados são em torno de 20° C a 22°C e umidade relativa de 35% a 65%.

2- Sensor de temperatura

A referência entre ligar e desligar um compressor está na temperatura sentida pelo sensor ambiente, que fica instalado no retorno do ar da serpentina do evaporador. “Caso o sensor estiver descalibrado, o valor da resistência ôhmica do sensor será lido de forma incorreta, consequentemente, a placa que aciona o compressor também terá um acionamento errôneo. Então, se ela errar no acionamento, estará errada também no desligamento e, nesse caso, o compressor pode não desligar.” afirma o professor.

É recomendado utilizar sensores cujo valor de resistência ôhmica a 25°C esteja de acordo com o informado pelo fabricante, calibrados, e se possível, originais.

3- Erro de instalação 

Muitos instaladores iniciantes erram naquele cabo do “sinal”, que de fato é o sinal de liga e desliga do compressor, vindo da unidade evaporadora. Quando se inverte os cabos na borneira da evaporadora ou condensadora, em muitos casos fazem o compressor ser ligado direto, mesmo sem ter sido acionado pelo controle remoto. 

Assim, pode ser que o compressor fique funcionando constantemente, e mesmo que seja percebido pelo sensor de temperatura do ambiente, não haverá o desligamento do compressor se não for optar pelo desligamento total do equipamento. Nestes casos, Oliveira alerta: “é primordial se atentar ao diagrama elétrico do equipamento e fazer as devidas ligações conforme informado pelo fabricante.”

4 – Relé da placa 

Muitos condicionadores de ar Split utilizam relé para acionar o compressor e/ou enviar o sinal de funcionamento do mesmo. É bem comum, depois de algum tempo, que esses relés apresentarem um defeito característico de “colar o contato”.

Nesse caso, o professor afirma: “se um relé de placa colou o contato, mesmo que o sensor ambiente detectou o ponto de desligamento, por ter seus contatos de acionamento “colados”, o compressor permanecerá ligado. Causará não só prejuízos financeiros, como também desgaste do compressor por estar demasiadamente ligado, não obedecendo os intervalos de tempo de funcionamento e descanso pré estabelecido pelo fabricante.”

Anderson ainda complementa: “neste caso, temos dois problemas. Primeiro, achar um relé compatível com todas as características do original, ter ferramentas e saber trocar; e segundo, ter a certeza que o problema é o relé da placa e não o sinal que aciona o relé.”

De acordo com o profissional, muitos são os relatos de que a placa já foi trocada e o problema permanece. “Então, antes mesmo de dar um parecer técnico, é fundamental testar os componentes individualmente e constatando que é na placa ou relé, fazer a troca se possível pelo original.”